sexta-feira, 13 de julho de 2007

Tempo perdido - Uma questão de mentalidades

Ontem perdi noventa minutos da minha vida. Porquê? Porque caí na asneira de ver a nossa selecção de sub-20 jogar e, sinceramente, não gostei nada do que vi. Foi uma vergonha.

Mais uma vez, as nossas selecções jovens mostraram que não dignificam a camisola que usam: os jogadores que estiveram ontem a jogar frente ao Chile não passam de um bando de miúdos mimados. Não se empenharam, não mostraram vontade, e pior, mas à portuguesa, como já tinham percebido que o jogo estava perdido, mostraram toda a sua inteligência (ou falta dela), agredindo o adversário e atirando um cartão amarelo ao árbitro. Resultado: os dois jogadores, Mano e Zequinha, por ordem das atitudes acima mencionadas, foram naturalmente expulsos.

Esta irracionalidade é típica dos jogadores das nossas selecções. Sempre que nos encontramos em situação desfavorável numa prova importante, reagimos sempre a quente e isso nunca nos deu bons resultados, senão vejamos: Euro-2000, após Abel Xavier ter jogado a bola com a mão, toda a equipa portuguesa se acerca do árbitro para tirar satisfações. Mesmo após Zinedine Zidane marcar a grande penalidade que ditou o afastamento da nossa selecção, os jogadores continuaram a protestar: resultado? Abel Xavier, Nuno Gomes e Paulo Bento acabariam por ser exemplarmente suspensos pela UEFA, com castigos na ordem dos oito meses; Mundial 2002, a perder com a Coreia do Sul, desta vez é João Pinto que se descontrola e acaba por agredir o árbitro da partida: resultado? Para além de ser expulso (ficámos a jogar com nove), fomos eliminados do Mundial e João Pinto foi suspenso por quatro meses; Euro-2006, Ricardo Quaresma agride o guarda-redes alemão; e por fim agora esta situação no Canadá.

É de facto incrível como é que as nossas selecções, em gerações diferentes mostram este tipo de atitudes. Agora, uma coisa é certa: todas elas passaram-se com treinadores que não têm grande controlo emocional com as suas equipas: Humberto Coelho, António Oliveira, Agostinho Oliveira e José Couceiro. Queria ver se isto acontecia com o sargentão Luiz Felipe Scolari.

Algo tem de mudar ao nível da formação dos nossos jogadores, pois assim, é certo que não iremos longe.

E não iremos longe não só pelas atitudes de indisciplina. Também por causa do individualismo. Alguém contou quantos passes fez o Fábio Coentrão, o Feliciano Condesso, ou o Bruno Pereirinha? E quantas bolas é que perderam? Péssimo jogo destes três. Se continuam assim, não terão futuro no futebol. E o que dizer dos centrais? João Pedro e Paulo Renato. O primeiro é simplesmente um azelha. "Não dá uma prá caixa!". É mesmo muito mauzinho. O outro, o tal que vai para o plantel principal de Paulo Bento, para além de ter uma excelente média de 0,5 penalties cometidos por jogo é um passador. A destacar de positivo na selecção, apenas o guarda-redes, Rui Patrício, e o latertal-esquerdo, Antunes, porque de resto...

O terceiro problema é a maneira como é encarado o profissionalismo e a formação em Portugal. Em Portugal, os jogadores não treinam: brincam com a bola, fazem uns passes, dão umas corridinhas a passo de marcha e nada mais. Deviam ter visto o aquecimento da equipa do Celtic de Glasgow quando veio jogar à Luz, ou então a tareia que Rafa Benítez deu aos seus jogadores depois de perderem na Luz.
No estrangeiro os treinos baseiam-se na forma e na força física, assim como a formação.
Cá, os treinos são dar umas corridinhas e as "peladinhas a meio-campo". A formação de jogadores passa simplesmente por saberem fazer umas fintas. Lá fora, passa por ganharem velocidade e por ganharem força.

É uma questão de mentalidades que diferencia o sucesso do insucesso, a disciplina da indisciplina.

3 comentários:

Lampião do Norte disse...

Ainda bem que não perdi esses 90 minutos mas li as crónicas e assino por baixo tudo o que foi aqui escrito.

Exemplo do que diz é o facto de o Manuel Fernandes ter andado um ano emprestado a clubes ingleses e já se notar diferenças significativas na sua massa muscular.

Abraços!

JNF disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JNF disse...

Completamente de acordo, Lampião do Norte! Aliás, eu acho que devia-mos mandar todos os jogadores da equipa junior para as equipas inglesas para lá treinarem. Olha o Hélio Roque, por exemplo: saía de lá tão forte como o Henry!

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