quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A exaltação dos valores da Academia


Em Alcochete, mal um rapazito dá três toques na bola, é de imediato chamado um professor de inglês para ensinar essa língua de trapos à criança, pois, mais cedo ou mais tarde, o tio Carlos vai levá-la para Manchester (ou Manster, como diz o nosso querido engenheiro. Um bem-haja para os gregos!).


Foi assim com o miúdo da Madeira, foi assim com o miúdo de Massamá, será assim com o filho do grande Veloso e, quiçá, também pode ser assim com o novo guarda-redes da "melhor escola de formação do Mundo" (como só ela se intitula), o Rui Patrício.

Toda a gente sabe que o Rui Patrício é o melhor guarda-redes da Liga (e ai de quem diga o contrário! É proibido!). Toda a gente sabe que Rui Patrício é produto da "melhor escola de formação de jogadores do Mundo". E aliás, é tão bom, tão bom, tão bom, tão bom, tão bom que o Scolari já o convocou para um particular contra a melhor selecção do Mundo.

A questão que aqui se coloca é clara: porque é que Rui Patrício é convocado em detrimento de outros guarda-redes? É melhor? Vejamos então:

Nos seus 8 jogos para o campeonato, o "sucessor de Damas" tem uma média de 5,5 pontos por jogo, segundo um diário desportivo, e sofreu, nada mais nada menos que 8 golos.
Na época 2001/2002, despontava um outro guarda-redes de qualidade, José Moreira, que nos oito primeiros jogos sofreu apenas dois golos. Dois! E no entanto, esse mesmo Moreira não tem uma única internacionalização A pela selecção.

Pelos vistos, o registo do futuro melhor guarda-redes do Mundo "formado na melhor escola do Mundo" não é assim tão positivo como apregoam. Há muitos outros guarda-redes capazes de fazer melhor que o menino de Alcochete. Há guarda-redes portugueses a realizarem épocas muito boas, umas atrás das outras, e nunca são chamados à selecção. Por exemplo, o Hilário (Chelsea), Eduardo (Vit. Setúbal) ou Pedro Roma (Académica). Por que é que estes jogadores não são chamados?

Hoje jogamos com a Itália. Espero que Scolari tenha o bom senso de não dar a baliza a Rui Patrício sem a dar primeiro a um outro guarda-redes muito profissional que está há vários anos (cerca de 7!) na selecção sem fazer um único jogo, e que nunca se queixa dessa situação, revelando o seu espírito desportivo e a sua atitude de excelente profissional, o guarda-redes titular do Benfica, Quim.

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